sexta-feira, 18 de março de 2011

Um poema dedicado ao Japão - O Vale do Silêncio

O vale do silêncio...é onde me encontro agora
É o lugar onde vou buscar respostas
para as perguntas que nunca fiz...

Começo a andar, lenta e compassadamente,
Abstraindo do meu redor todo o som,
todo o movimento e toda cor...

Eis que o vazio é onde estou
Ou seria a soma de tudo?
Pois o branco domina as formas ao meu redor...

Formas? Sim, tais como um vale;
a relva branca...as flores brancas...
Penhascos alvos como a neve...

Sopra o vento; mas não o ouço;
Corre a água - que não marulha
Piso a grama - que não se estala...

E andando chego a algum lugar...
Lugar onde corre um riacho,
Em meio a um penhasco bravio...

Às suas margens despejo três lí­rios,
Esperança incauta do saber e dos porquês;
Arrastados pelas águas levam meu olhar consigo...

E por fim aguardo;
Do outro lado do vale estão as respostas,
Que virão a mim enquanto espero, assentada,

Mais um gelado e manso entardecer.

Débora Chiovitti